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segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

Canto



Fez-me interromper pensamentos angustiantes: Estudos,  trabalho, e o futuro em todas as suas interações.

Fez-me repensar, enquanto fechava um livro para pular para outro livro, desistindo temporariamente destes para esta escritura.

O canto de um pássaro na janela do meu quarto fez-me olhar para dentro da minha alma e “trazer à memória aquilo que me dá esperança”

Horizontes, novas conquistas, abrir-se para o que há no degrau acima, abrir-se para o novo sem reservas!

Para que servem às reservas? Para poluir o que há de bom na esperança viva do poder crer no amanhã?

Qual o significado do firme fundamento chamado fé, neste caso? Qual a validade disto, quando optamos por nossos subterfúgios, logo , pelas tais reservas?

E para que reservas se vivemos uma dinâmica diferenciada, oferecida pelo Autor da fé?

Para que insistir neste tipo de medo, quando temos a Fé que move montanhas e quando medo e fé nem mesmo podem ser considerados dialética, mas, reais opostos?       

Um canto de pássaro na janela do meu quarto ressoou dentro da minha distração.

Fez-me ter uma nova hermenêutica do momento, sincronicamente falando, da estrada, da escalada da vida...

Quando era menina, praticava atos de menina,

Desde pequenina sabendo que havia um herói para minha defesa e refúgio,

E, ainda, com “plus”...

Havia O Herói dos heróis a quem

Eu, então, temia, temo e sempre temerei...

A diferença é que um destes heróis sempre estava fisicamente grudado em mim

Eu o podia ver com olhos naturais...

Já O Herói dos heróis eu o via em tudo,

Desde menina, mas, com olhinhos espirituais

Um dia,

Deparei-me: Só havia o Herói dos heróis

Deparei-me ainda: Não era mais uma pequenina criança, mas, uma mulher...

Quantos estágios vencidos,

Quantas batalhas superadas, quanto aprendizado, quantas lágrimas, sorrisos, danos, curas, experiências, escolhas...

A vida é feita delas.

Pude concluir que o Herói dos heróis era herói do meu herói.

Que o Herói dos heróis carregava a todo tempo ao meu herói.

Aceitei que o herói “combateu o bom combate, completou a carreira e guardou a fé”

E, este herói, derramou a última lágrima e deu o último suspiro em meus braços a caminho

Do hospital.

Olhando fundo dentro dos meus olhos assim...Eu e ele. Ele e eu. Que momento!

Seu último olhar quisera me dizer: “Filha, não quero ir, pois, quero permanecer sendo seu herói, conselheiro, protetor, amigo confidente...Guarde tudo o que lhe passei, viva segundo o nosso Deus, assim, vença!”

Eu criança afirmava:

- “Pai, quando crescer quero ser desenhista e engenheira arquitetônica!”

-“ A minha filha pode ser tudo o que ela quiser, basta esforço e dedicação!”

Por bem, vi que o ”Herói dos heróis” presenteou-me, mais uma vez

Por ter nascido filha do heróis...Meus pais!

Vi também que em todo o tempo, éramos levados por

ELE

E que agora somos “O Herói dos heróis” e eu!

A hora de frutificar as sementes que um dia meu querido papai plantou em mim é chegada.

Medos? Sem espaço.

Um pássaro fez-me perceber...

 
Vanessa de Lira Pereira, Primavera, 2013.
 

 

 

Poética – Por Vanessa Lira

 

Para o entendimento e enumeração teórica de algo tão plurissignificativo como a poética, temos diversos campos e subcampos para enumeração de um raciocínio que leve ao encadeamento de ideias e entendimento lógico do que se quis desenvolver através da poesia. Excetuando-se a teoria da poesia ter mil faces, onde o entendimento perfeito de cada obra escrita seria impossível, pois, seria como tentar cortar uma maçã para vermos seu lado interno, para tanto, destruiríamos o lado externo da maçã, que já seria decomposta de sua originalidade. Assim se corrompe o "querer interpretar" uma poesia por meio de técnicas. Contudo, podemos, por meio de passos que cerceiam toda a teoria literária, nos apoderarmos de maior conhecimento para uma interpretação verossímil.

 

 
Vanessa de Lira Pereira, primavera, 2013

Mais um tipo de canto

segunda-feira, 4 de novembro de 2013

Tenho que cantar...

Cantar à vida
Cantar às tribulações envolvidas no verbo viver...
Cantar à perseverança que gera esperança
Cantar à integridade que tenho
Cantar minha maravilhosa mamãe
Cantar meu irmão
Cantar meu infinito papai
Cantar à segurança no meu Deus
Cantar minha alma segura na certeza, firme fundamento no invisível...
Cantar ter o privilégio Da Escolha sobre a qual, quando eu ainda era informe, entretecida na barriga de minha mãe, foi feita sobre mim.
Cantar à forma de vida, não mais segundo minhas errantes escolhas, mas, segundo À Vontade Boa, Agradável e Perfeita.

Cantar ao inebriante desejo em minha alma, tal qual, faz-me planejar, sonhar, concretizar...
Cantar ao tal desejo, que se traduz no Verbo Vivo, em viver Nele, em sonhar os Sonhos Dele pra mim.
Cantar meus amigos, que estão sempre ao meu lado e lembram-se de mim, mesmo que eu, imatura, não tenha dado tanta atenção aos mesmos...
Cantar à sabedoria adquirida em mini porções...
Cantar às flores, às canções, minhas composições, os mal traçados versos que invento...
Cantar à luz, o vento, o amor,o estado da estada do vil estado de favor..
Cantar à peregrinação sob à terra  em suas interações sob égide do Rei dos Reis...

Cantar quem sou...
Cantar à moleca
Cantar à que anda de bike e patins na praia aos 26, surf e skate em andamento...
Cantar à que gosta de escalar e fazer rapel
Cantar à que adora às vezes ficar sozinha em plena sexta feira à noite em seu quarto de pijamão assistindo desenhos animados ou romances melancólicos
Cantar à que escreve, canta, pula, dança no chuveiro, se enfeita pra ficar em casa e sai na rua desarrumada.
Cantar à que ama amar
Cantar à que ama animais, preferencialmente ao cães
Cantar à que odeia ir ao médico
Cantar à que ama  andar descalçada nas ruas das praias, na grama verde, e dormir sob o pé de manga...(perigo!)
Cantar à que prefere às cidades pequenas, com gente simples e boa a quaisquer bairros das grandes metrópoles
Cantar à que é mimada por todos (assumida), porém, tenta ser melhor diariamente (promessa!).
Cantar à que tenta não magoar pessoas, ainda que por estas advenham mágoas
Cantar à que perdoa, vale a pena!
Cantar à que vai à praia e senta na areia de tênis e calça de cooper só para ler um livro
Cantar à que gosta de fazer camping, se houver chuveiro com água quente...
Cantar à que ama crianças e o ofício de formação destas, como professora
Cantar à que tem um chamado, que irá se cumprir (segredo!)
Cantar minhas lágrimas, entre essas, minha fé ressoará...
Cantar "à louca" que larga um bom emprego numa boa empresa, para se dedicar aos estudos e dar aulas. Louca pra quem? Alguns...rs...normal...

...
Cantar a que tem 1001 defeitos...Enumerá-los? Tarefa difícil, não?
Cantar a que é humana, não perfeita.

Primavera, novembro, 2013...Acordando depois de matar Uerj...Humana.


Vanessa de Lira Pereira


sábado, 2 de novembro de 2013



Finados...Papai? Não Finado, mas, vivo em mim.

...Não há como negar a mim. Parte da minha vida se foi e eu ainda tento de todos os subterfúgios para tentar reparar este vazio. Aprendi tanto com Ele e ainda aprendo. O amo. Mais não é simples assim. O amo com o amor natural, isso! Aquele amor que nasce conosco: O amor filial, mas, o amo ainda pela base sólida em que ele me estabeleceu. Não o adoro, pois, isto dedico ao Senhor Deus. Mas, o amo, o reverencio pelo cidadão que foi. Seus livros, poesias, músicas, teorias, sua prática medicinal em laboratório (que tinha por ofício profissional), seus desenhos lindos, seu dom para cantar, seus livros chatos de 1000 páginas sobre "Patriarcas e profetas" (rs!) suas brincadeiras hiper criativas... seu exemplo que conquistava até mesmo aos meus amigos, estes, me deixavam para prestar atenção em seus ensinamentos quando iam até nossa casa ver filme ou jogar papo fora...Motivo de ciúmes, saudável, claro.
O amo, pelo fato de sua renúncia por amor. 

Por sua garra em querer viver pela razão de não deixar seus tão amados filhos.
O amo, o quero tanto aqui comigo...Queria, quisera...Quimera! 

Ele me fez quem eu sou. Erro, mas, reparo e aprendo. Isto também veio dele. A caminho do hospital ele no meu colo e sua última lágrima antes do último suspiro matam-me até hoje...Ainda, sinto-me feliz. A vontade de Deus é boa, agradável e perfeita!
Hoje pra mim não é dia triste, apesar de ter reclusão aos anúncios comerciais quanto a este dia.
Tento não pensar que fisicamente não mais está aqui, entretanto, nosso amor é tão forte que me entrego.
Pai, você é a minha vida. A razão pela qual anseio crescer e tentar ser ao menos metade do que você foi. Assim , sei que serei exemplo de vida, conceitos formados, pré-conceitos corretos. Dói, dói e ainda...dói. Mas, sou forte como você me formou. Continuo e vou vencer sendo a cada dia melhor do que sou. Obrigada pai. Sua Filha, Vanessa.

Vanessa de Lira Pereira em 12/08/2012 - Dia dos pais.


Leituras do fim de semana:

Eles eram muitos cavalos (Luiz Ruffato)
Teoria Literária ( Hênio Tavares)
Viagens na Minha Terra (A. Garret)
Essa semana ouvi uma canção, bem popular, eu creio, onde refleti a respeito de um trecho da letra, que dizia : "Outra vez, eu tive que fingir, eu tive que escolher".
Tenho uma mania esdrúxula refletir na interpretação em detalhismo nas letras de canções, poemas, relatos. Ouço e reflito a respeito traçando um paralelo com a vida. De fato, a arte é mimeses (eu creio). Será que sempre seremos fingidores? Será que não podemos viver a plenitude como em contos com finais felizes? Será que é verdade a máxima de quem ama sempre está longe do ser amado, e que  na verdade, os casais que estão juntos suportam-se e o amor já não é tão importante?
Muita das vezes lamento não ter nascido numa época onde existia amor verdadeiro, onde as canções eram vividas à flor da pele e causavam arrepio à alma. Este meu sentimento causa-me a sensação de ser um peixe fora da água.
"Eu caçador de mim", devo ser fingidora.
Não é um caloroso desabafo, mas, um apelo: Esperar. Esperar pelo correto, não acreditar que pessoas são boas e sinceras só por que você o é. O mundo é um "moinho" e prepara-nos todos os dias para receber algo maior, para surpresas dentro de uma trajetória, que para ser bem sucedida, depende tão somente do nosso próximo pequeno primeiro passo.

Vanessa de Lira Pereira